20180301Desfile frenteTrabalhadores, dirigentes e delegados sindicais participaram ontem numa grande jornada nacional em Lisboa, levando as reivindicações às associações patronais Groquifar e ANIMEE, ao Ministério do Trabalho e, por fim, à EDP. Esta foi a primeira iniciativa do «mês de esclarecimento, acção e luta».
2.3.2018

A Fiequimetal e os seus sindicatos vão, durante o mês de Março, alargar a mobilização dos trabalhadores das indústrias metalúrgicas, químicas, eléctricas, farmacêutica, celulose, papel, gráfica, imprensa, energia e minas, pelo aumento dos salários, por horários de trabalho humanizados, por melhores condições de trabalho, pelo combate efectivo à precariedade.

 

Groquifar tem de negociar

20180301GroquifarNa resolução aprovada, cerca das 14 horas, durante a concentração frente à sede da Groquifar (Associação de Grossistas de Produtos Químicos e Farmacêuticos), esta é acusada de, através da sua divisão farmacêutica, fugir às suas responsabilidades, fazendo da negociação verdadeiros simulacros.

Recusando este jogo do faz de conta, exige-se que a Groquifar assuma de forma séria as negociações com a Fiequimetal, retomando o seu decurso normal, e não atrase mais um acordo sobre as tabelas salariais.

Na associação patronal recusaram-se a receber o documento. Mas na resolução ficou expresso que os presentes na manifestação assumem o compromisso de que irão tomar as medidas necessárias, de envolvimento dos trabalhadores para exigir a distribuição da riqueza a que têm direito.

- Resolução dirigida à Groquifar

 

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Reivindicações no sector FMEE

Até à sede da ANIMEE (Associação Nacional das Empresas do Sector Eléctrico e Electrónico), os trabalhadores deslocaram-se a pé, em manifestação, num percurso de cerca de dois quilómetros, exibindo faixas e cartazes e gritando palavras de ordem relativas aos objectivos desta jornada.

20180301Animee

Uma delegação de dois dirigentes sindicais entregou na associação patronal a Carta reivindicativa dos trabalhadores do sector FMEE (fabricantes de material eléctrico e electrónico), exigindo aumentos salariais justos (50 euros, pelo menos, para todos), bem como a redução das carreiras dos operadores especializados e logística e técnicos fabris.

Reclama-se ainda o fim das discriminações, particularmente a negação das diuturnidades aos trabalhadores admitidos a partir de 2013, e que todos os trabalhadores com contrato precário, que estejam a ocupar postos de trabalho permanentes, passem a efectivos.

A Fiequimetal defende um plano de prevenção contra as doenças profissionais e acidentes de trabalho. Para este objectivo deve também ser reduzido progressivamente o tempo de trabalho.

- Carta reivindicativa dos trabalhadores do sector FMEE

 

20180301MinisTrabalho chegadaGoverno deve ir mais longe

O desfile seguiu da ANIMEE para o Ministério do Trabalho, frente ao qual se concentraram os participantes nesta jornada.

Enquanto uma delegação fazia a entrega da resolução aprovada, fizeram breves intervenções o coordenador da Fiequimetal, Rogério Silva, o coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa, Libério Domingues, e João Torres, em nome da Comissão Executiva da CGTP-IN.

20180301MinisTrabalho intervencoes

Entregue a resolução, Manuel Bravo, do Secretariado da DN da Fiequimetal, informou que foi declarada ao chefe de gabinete do ministro toda a disponibilidade da federação para, no mais breve prazo possível, reunir com representantes do Ministério para analisar as questões colocadas.

- Intervenção de Rogério Silva (vídeo)
- Resolução entregue no Ministério do Trabalho

 

EDP com milhões regateia tostões

20180301EDP 2Da Praça de Londres, os trabalhadores seguiram em autocarros para junto da sede da EDP, onde iriam daí a pouco ser apresentados pela administração os resultados alcançados pelo Grupo EDP no ano de 2017. Foi confirmado que os lucros atribuíveis aos accionistas aumentaram 16 por cento, face ao ano anterior, atingindo 1113 milhões de euros.

A federação, num comunicado aos trabalhadores e à população que foi apresentado por Joaquim Gervásio, do Secretariado da DN, recordou que nos seis anos anteriores os resultados líquidos do Grupo EDP somaram mais de sete mil milhões de euros, dos quais os accionistas levaram mais de 3300 milhões, sendo que, na sua quase totalidade, foram para o estrangeiro.

Por outro lado, a administração tem mantido para si elevados salários e prémios chorudos, com destaque para o presidente executivo, António Mexia, que recebe cerca de 2,5 milhões de euros por ano, e o presidente do Conselho Geral de Supervisão, Eduardo Catroga (mais de 500 mil euros). Os executivos da administração, juntos, já tinham ultrapassado nos últimos anos os 50 milhões de euros. Em 2017, receberam mais de 11 milhões.
Também o preço da energia é um dos mais caros da Europa, que se pode mesmo considerar o mais caro, levando em linha de conta as diferenças de nível salarial nos vários países.

No entanto, a administração da EDP tem imposto uma crescente precarização do trabalho, com recurso cada vez maior a empresas prestadoras de serviços, e nas negociações salariais para 2018 tenta forçar os trabalhadores a assinar um aumento irrisório (0,6 por cento, na última reunião).

20180301EDPAnna Catarino, António Coelho e Daniel Sampaio falaram sobre a situação actual e a luta dos trabalhadores dos call-centers, os efeitos da privatização da EDP (que os sindicatos e a federação persistente e fundamentadamente combateram desde início) e a necessidade de intensificar a mobilização para alterar este estado de coisas.

Numa breve saudação, a deputada Rita Rato, do PCP, reafirmou o apoio aos objectivos desta concentração e da jornada.

- Comunicado aos trabalhadores da EDP e à população
- Intervenções de Anna Catarino e Daniel Sampaio

 


Ver também:
- Fotos do desfile (Groquifar, ANIMEE, Ministério do Trabalho)
- Fotos da concentração na EDP
- Março de acção e luta na indústria (23.2.2018)