Valorsul-arquivoMorrer a trabalhar é intolerável e não pode ser encarado como natural, salienta a Fiequimetal, num comunicado sobre o acidente mortal ocorrido na Valorsul. A federação volta a reclamar do Governo e da ACT a implementação de um plano nacional de prevenção dos riscos, específico para a indústria, e apela aos trabalhadores para intensificarem as reivindicações e a luta por melhores condições de vida e de trabalho.
11.6.2015

 

 

Mais uma vítima mortal de acidente de trabalho na indústria

Desta vez foi na Valorsul, em S. João da Talha. Há três semanas foi na Almina, em Aljustrel. Duas mortes no local de trabalho que se juntaram à extensa lista das vítimas de acidentes de trabalho que poderiam e deveriam ser evitados, se as regras da prevenção fossem efectivamente cumpridas. Em ambos os casos, tratava-se de trabalhadores com vínculos laborais precários.
Independentemente do resultado dos inquéritos, que exigimos que sejam rigorosos no apuramento das causas e das responsabilidades e cujas conclusões devem ser rapidamente divulgadas, é necessário e urgente que as autoridades competentes tomem medidas para travar a sinistralidade laboral.
Desde há muito que a Fiequimetal e os seus sindicatos vêm alertando para a crescente desvalorização das questões relativas à Segurança e Saúde no Trabalho, por parte das entidades patronais, e a reclamar do Governo e da ACT a implementação de um plano nacional de prevenção dos riscos, específico para a indústria, destinado a combater as causas da sinistralidade, e não apenas campanhas de sensibilização, como pretende o patronato.

Morrer a trabalhar é intolerável e não pode ser encarado como natural!
Em nome da «crise», o patronato tem vindo a desinvestir nas condições de trabalho, considerando a prevenção como um custo e não como um investimento na segurança dos trabalhadores. Tal prática foi impulsionada pela política de «cortes cegos» na área da Saúde e Segurança do Trabalho, impostos pelo Governo PSD/CDS.
Estes desinvestimentos têm tido graves e inaceitáveis consequências para a saúde e vida dos trabalhadores, como comprovam as recentes mortes e o crescente número de trabalhadores acidentados e atingidos por doença profissional.

Quantos mais trabalhadores terão de morrer ou contrair doença profissional, para haver alteração nas políticas do Governo e no comportamento do patronato? Esta situação tem de terminar!

A Fiequimetal e os seus sindicatos exortam os trabalhadores a intensificarem as reivindicações nos locais de trabalho e a luta por melhores condições de vida e de trabalho, exigindo a concretização do direito à Segurança e Saúde no Trabalho.

Lisboa, 11 de Junho 2015
O Secretariado da Direcção Nacional

Ver também:
- Comunicado em pdf
- Morte em Aljustrel poderia ser evitada (20.5.2015)