20170223MotaEngilPelo aumento dos salários, que continuam nos mesmos valores há sete anos, pela defesa da contratação colectiva e pelo cumprimento dos direitos, os trabalhadores da Valorsul e da Amarsul afirmaram hoje, frente à sede da Mota-Engil, que estão determinados a prosseguir a luta.
23.2.2017


Nesta jornada, que marcou o início da Quinzena de Acção e Luta nos sectores da Fiequimetal, participaram cerca de duas centenas de trabalhadores, dirigentes e delegados sindicais. Organizados nos seus sindicatos - o SITE CSRA, o SITE Sul e o STAL - os trabalhadores das duas principais empresas do Grupo EGF (que o governo anterior alienou à SUMA, do Grupo Mota-Engil) começaram por se concentrar na rotunda da Avenida 25 de Abril, junto a um centro comercial, em Linda-a-Velha. Para a sede da Mota-Engil seguiram em desfile, condicionando por cerca de meia hora o trânsito automóvel no local.

Durante quase uma hora, decorreu um plenário geral, em frente à sede do grupo multinacional. As intervenções dos dirigentes sindicais foram sublinhadas com aplausos e palavras de ordem, como «a luta continua, nas empresas e na rua».

Foi saudada a presença solidária de deputados do PCP e do BE.


Luta justa

Numa breve intervenção, o coordenador da Fiequimetal, Rogério Silva, enalteceu a luta dos trabalhadores, com determinação e coragem, e lembrou que, nos últimos dois anos, esta luta assumiu mesmo a forma de greves, tanto na Valorsul como na Amarsul.
Condenou o facto de, com os trabalhadores há sete anos sem aumento salarial, o accionista privado ter decidido distribuir 20 milhões de euros de lucros acumulados, sem que um cêntimo fosse destinado a valorizar os trabalhadores que criaram esses resultados.
Rogério Silva exigiu que a Mota-Engil respeite os direitos dos trabalhadores e a contratação colectiva, e condenou os comportamentos patronais trauliteiros, com tentativas de intimidação para desmobilizar a luta. Mas avisou que estes trabalhadores não se vergam e não vão parar com a luta, enquanto as suas reivindicações não forem satisfeitas.
Esta jornada, referiu ainda o coordenador da Fiequimetal, enquadra-se nos objectivos da Quinzena de Acção e Luta, que aqui se iniciou e que vai mobilizar milhares de trabalhadores até ao dia 10 de Março.


Para alargar

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN, que interveio na parte final do plenário, saudou a capacidade de mobilização e resistência dos trabalhadores da Valorsul e da Amarsul. Começou por apontar a contradição entre as mensagens positivas, inscritas em parangonas nas vidraças do prédio, e a realidade.

Acusou a Mota-Engil de não querer negociar, pretendendo substituir os acordos de empresa por regulamentos internos, para reduzir direitos e reduzir rendimentos. A administração não está de boa-fé, quando apresenta propostas aos representantes dos trabalhadores, e terá a resposta devida, que é a continuação da luta.

Arménio Carlos defendeu que esta luta deverá ser alargada, para também sensibilizar a opinião pública, os municípios e os munícipes, dizer-lhes que com a privatização não ficaram a ganhar. As privatizações podem ser boas para alguns, mas são péssimas para a esmagadora maioria, para os trabalhadores e para a população. Os trabalhadores são as primeiras vítimas, mas a ofensiva vai mais longe e, ao que tudo indica, a breve prazo os serviços podem ficar mais caros.

O secretário-geral da CGTP-IN salientou que esta luta dos trabalhadores da Valorsul e da Amarsul é muito importante. O confronto é com uma multinacional, que pode ter do seu lado o dinheiro e o poder, mas não tem a razão, o poder da justiça, que está do lado dos trabalhadores e é muito mais forte.

Afirmou a confiança em que, por mais que a Mota-Engil procure desgastar os trabalhadores, estes não vão desistir e sabem que, com a luta, podem atingir os seus objectivos.

Ver também:
- Resolução aprovada no plenário por unanimidade e aclamação
e em seguida entregue na Mota-Engil

 

 Plenário na Mota-Engil em video-reportagem

 

Algumas fotos desta jornada