20170307workshopA Fiequimetal organizou em Lisboa um workshop internacional sobre o impacto que a «4ª revolução industrial», também designada como «Indústria 4.0», pode ter na organização do trabalho e a posição dos trabalhadores e das suas organizações acerca deste fenómeno e respectivas consequências nos locais de trabalho.
17.3.2017



O workshop sobre o tema «Industrial Relations and Smart Production», que a Fiequimetal realizou no dia 7 de Março, em Lisboa, está inserido num projecto, promovido pelo IRES (Instituto de pesquisa econômica e social) Luca Morisini, em parceria com a Fiequimetal e outras organizações sindicais europeias - nomeadamente, CGIL Piemonte e FILCTEM CGIL (Itália), CCOO Catalunha (Espanha), FZZ Metalowcy (Polónia) - e os institutos de pesquisa ISTUR (Bulgária) e IES (Inglaterra).

Nesta iniciativa, além dos representantes estrangeiros, participaram diversos dirigentes da Fiequimetal e dos vários sindicatos da federação, alguns dos quais trabalham em empresas multinacionais onde esta temática terá uma enorme importância (Autoeuropa, PSA Citroën, Renault Cacia, Mitsubishi, Bosch e General Cable Celcat).

Os trabalhos tiveram como base o impacto que a «4ª revolução industrial», também designada como «Indústria 4.0», pode ter na organização do trabalho e a informação que os trabalhadores têm sobre o tema e sobre o seu impacto nos seus locais de trabalho.

Um estudo realizado em Portugal, com os representantes dos trabalhadores da Volkswagen Autoeuropa, mostrou que os trabalhadores têm pouca informação sobre o tema, que não estão a ser envolvidos nas decisões (alterações) a que serão sujeitos e que não estão satisfeitos com o prenúncio da «Indústria 4.0».

Mas o workshop debateu mais questões relacionadas com a «Indústria 4.0» e que são de grande importância quer para os trabalhadores, quer para os sindicatos, tais como:

- a desregulação do horário de trabalho;
- a falta de protecção (regulação), por convenções colectivas, dos trabalhadores que trabalham para plataformas digitais (Gig Economy);
- a exigência de disponibilidade do trabalhador 24 horas por dia;
- a substituição de trabalhadores por robôs e a destruição de postos de trabalho associada a tal facto;
- a ideia imposta de que será necessária a polivalência funcional;
- a constatação de que os sindicatos não estão a ser envolvidos nos grupos de trabalho (comités e outros), onde estão a ser discutidas as questões relacionadas com a «Indústria 4.0», estando apenas a participar grandes empresas multinacionais (alemãs, americanas e francesas).

Orientação sindical

Este foi um workshop muito rico, em conteúdo e experiências, e há necessidade de debater com os sindicatos esta temática, de forma a desenvolver uma orientação sindical.

Os sindicatos da Fiequimetal não são contra a introdução de novas tecnologias... desde que estas sirvam para o bem-estar dos trabalhadores e não para a destruição de postos de trabalho.

Relembramos, a este propósito, que para os sindicatos e a Fiequimetal são objectivos nucleares a redução do tempo de trabalho, a melhoria das condições de trabalho e a defesa da Segurança Social pública e universal.

Ver também:
- «Indústria 4.0 quem pretende servir?»
Artigo de Rogério Silva, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN e coordenador da Fiequimetal, no Jornal Tornado de 4.3.2017

 

Algumas fotos da iniciativa