20171123EfacecEm greve, trabalhadores da Efacec, organizados no SITE Norte, manifestaram-se dia 23, quinta-feira, ao final da manhã, em frente à Assembleia da República. Reclamaram uma intervenção dos deputados junto do Governo, para que sejam tomadas decisões que garantam os postos de trabalho, a valorização dos trabalhadores e o futuro desta empresa de referência e estratégica.
25.11.2017



A situação é exposta numa carta dirigida aos grupos parlamentares, a contestar o modo como a administração do Grupo Efacec está a usar o estatuto de empresas em reestruturação para, até 2019, obter 409 rescisões «por mútuo acordo» (118 na Efacec Energia e 291 na Efacec Engenharia).

Os trabalhadores e o sindicato chamam a atenção para factos que desdizem os argumentos invocados pela entidade patronal e comprovam que se trata de despedimentos encapotados. Referem, designadamente, que:

- de 2015 para 2016, a Efacec passou de prejuízos a lucros (4,3 milhões de euros) e a tendência, em 2017, é de aumento dos lucros e das encomendas;
- nas listas de trabalhadores a despedir, a maioria tem menos de 50 anos de idade;
- essas listas foram elaboradas pelos chefes, com critérios dúbios;
- ocorrem acções persecutórias sobre trabalhadores que não aceitam a proposta de rescisão;
- há um aumento de trabalhos entregues em sub-contratação e cresce a contratação de mão-de-obra temporária.

No documento refere-se ainda uma recente alteração unilateral das funções dos trabalhadores, ficando uma formulação muito genérica. A empresa pretende assim exigir que cada trabalhador possa desempenhar funções de carpinteiro, serralheiro, bobinador, operário especializado, electricista e pintor.
Isto é um exemplo claro de polivalência e de degradação da categoria profissional, que contraria mesmo o que estabelece o Código do Trabalho.

É ainda chamada a atenção dos deputados para a actuação da Autoridade para as Condições do Trabalho. Na Efacec, a ACT realizou 30 acções inspectivas nos últimos cinco anos, mas os representantes dos trabalhadores não foram chamados, nos dias da visita dos inspectores, e posteriormente não lhes foram fornecidos quais relatórios sobre o resultado das inspecções.

A cada um dos grupos parlamentares foi solicitado que interceda junto do Governo, para que sejam tomadas decisões que permitam a defesa dos postos de trabalho e a valorização dos trabalhadores, pois são estes o elemento central da Efacec e sem eles esta deixará de ser uma empresa de referência e estratégica para a economia nacional.

A solidariedade da CGTP-IN foi manifestada aos trabalhadores por João Torres, da Comissão Executiva da central.

Ver também:
- Documento dirigido aos grupos parlamentares
- Trabalhadores da Efacec voltam à greve contra despedimentos (Lusa TV no Jornal de Negócios, 23.11.2017)

 

Algumas fotos da concentração junto à AR