20171125AljustrelAo fim de cinco dias de greve, com forte adesão desde o início, dia 22, provocando a paragem da extracção e da lavaria, o STIM e os trabalhadores deixaram claro que, caso a administração não vá ao encontro das reivindicações justas e realistas que motivaram a luta, esta vai prosseguir, incentivada pelo grande apoio da população da vila mineira.
26.11.2017

 

Num comunicado de dia 22, o sindicato acusou as empresas, através da administração, de enveredarem pelo caminho das promessas a alguns trabalhadores, procurando dividir para reinar. A administração teve muito tempo para apresentar propostas e soluções, mas só à beira da greve é que veio fazer promessas para tentar desmobilizar os trabalhadores, protestou o STIM, reafirmando que a luta é o caminho e apelando a que nenhum trabalhador se deixasse enganar.

No primeiro dia de greve, os trabalhadores deram a devida resposta a estas manobras, desde logo com uma muito forte adesão à paralisação, mas também concentrando-se, em grande número, na entrada para a mina de Fetais, onde foi instalado o piquete de greve.

Daqui partiu uma manifestação até ao centro de Aljustrel, para expor publicamente os motivos da luta e apelar à solidariedade dos demais trabalhadores e da população.

O resultado levou a que, no dia seguinte, o sindicato emitisse um comunicado a agradecer o apoio manifestado aos mineiros. «Foi a unidade da população e dos trabalhadores, numa luta persistente, que tornou possível, em 2009, a retoma da actividade extractiva nas minas de Aljustrel» e «hoje, como no passado, essa unidade continua a ser necessária e desejável», salientou o STIM.

Nesse documento foram anunciadas novas manifestações nas ruas da vila, para sexta-feira à tarde e para sábado, ao final da manhã.

A jornada de sábado começou no Largo do Mineiro. A manifestação foi encabeçada pelo Grupo Coral do Sindicato dos Mineiros, cantando o emblemático hino «Santa Bárbara» e modas sobre o trabalho, a mina e a vila.

Um grupo de trabalhadores, logo atrás, transportava uma faixa a afirmar que «por melhores condições de saúde e de trabalho, a luta continua». Aos muitos trabalhadores e dirigentes do STIM, com coletes verdes do «piquete em greve», centenas de pessoas integraram este grande desfile, em direcção à mina de Fetais.

No final da manifestação, o coordenador do sindicato, Luís Cavaco, agradeceu à população o apoio manifestado à luta dos mineiros.

Em declarações à reportagem da Rádio Ourique (que publicou vídeos em directo na sua página no Facebook), ficou assinalada a ausência das televisões e rádios nacionais e foi afirmada a determinação dos trabalhadores de prosseguirem a luta, caso a administração não altere as suas posições.

 

Ver também:

- Vídeo da Rádio Ourique, com declarações de Luís Cavaco, coordenador do STIM, e Jacinto Anacleto, dirigente do sindicato

- Vídeo da Rádio Ourique no Facebook, com extensa reportagem do desfile até à mina, dia 25

- Comunicado de dia 22 (promessas)
- Comunicado de dia 23 (à população)

- Greve forte dos mineiros saiu à rua em Aljustrel (23.11.2017)

 

Algumas fotos dos dias da greve (clique para ampliar)