20180417Sacopor vozribatejanaOs trabalhadores da Sacopor fizeram greve no dia 16, enfrentando uma reacção de lock-out, e voltam a paralisar a 27 e 30, durante três horas por dia. Exigem aumentos salariais e direito a diuturnidades, entre outras matérias do caderno reivindicativo a que a empresa não responde.
20.4.2018



A decisão de voltar à luta nesta fábrica de sacos para cimento, pertencente ao Grupo Cimpor e instalada no Parque Industrial do Carregado (Alenquer), foi tomada em plenário, no dia 18.

Numa moção, aprovada por unanimidade, os trabalhadores manifestaram veemente repúdio pelo facto de a  administração ter impedido o acesso às instalações no dia da greve. Para os trabalhadores, organizados no SITE CSRA, tratou-se de uma acção prepotente de lock-out e desrespeito por aqueles que ao longo do tempo deram o seu melhor contributo à empresa.

O caderno reivindicativo, aprovado por unanimidade em plenário e assinado pelos trabalhadores presentes, foi recebido pela administração a 8 de Fevereiro.

No dia 5 de Abril, sem resposta patronal, os trabalhadores determinaram, num novo plenário, que aguardariam até dia 13, avançando com um pré-aviso de greve para os dois turnos de dia 16.

A 10 de Abril, a administração afixou uma informação que os trabalhadores consideraram insuficiente. Promoveu ainda uma reunião com os trabalhadores, na qual participaram um administrador e o director dos Recursos Humanos da Cimpor.

Num novo plenário, a 13 de Abril, sexta-feira, face à informação negativa quanto às reivindicações que consideram justas, os trabalhadores decidiram por unanimidade fazer greve a todo o período de trabalho na segunda-feira, dia 16.

Às 17h00, foi afixado um comunicado da empresa. O turno que saiu às 16h00 não teve acesso a esta informação.

Na segunda-feira da greve, os trabalhadores foram confrontados com o portão fechado e interpelados por quatro seguranças sobre a intenção de fazerem ou não greve. Este foi um cenário que não faz parte do normal funcionamento da Sacopor, apenas se viu neste dia.

A GNR foi chamada a intervir, para registar as ocorrências, no início de cada turno, e a Comissão Sindical contactou a ACT, que chegou à empresa cerca das 15h00.

A ACT tentou que fosse dado acesso aos trabalhadores ali presentes, todos eles integrando o piquete de greve. Mas, ao longo do dia, o piquete nunca teve hipótese de exercer as suas funções.

O impedimento do acesso à fábrica levou também a que os trabalhadores não pudessem comunicar a sua intenção de fazer greve ou não, ao responsável da empresa, como este estipulara na sua comunicação.

Apesar destas perturbações, o sindicato assinalou a participação em massa na greve, por parte dos trabalhadores da produção, estimando a adesão em cerca de 70 por cento da estrutura.

Ver também:
- Trabalhadores da Sacopor param por aumentos e diuturnidades (16.4.2018, Público)
- Trabalhadores da Sacopor reclamam aumentos e diuturnidades (17.4.2018, Voz Ribatejana)