20221029Relatorio DGEG arquivo Central Pego 20211113 AbrantesA publicação do Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Eléctrico Nacional vem mostrar como a Fiequimetal, os sindicatos e os trabalhadores tinham razão, quando contestaram o encerramento das centrais termoeléctricas de Sines e do Pego e quando exigiram a sua reabertura.
29.10.2022

Para a Fiequimetal, as duas unidades de produção eléctrica alimentadas a carvão devem ser recolocadas em situação de prontidão, pelo menos, até que estejam acauteladas todas as necessidades fundamentais para um aprovisionamento de electricidade estável e seguro, a preços (tarifas) que sejam suportáveis pelos trabalhadores, pensionistas e reformados, e que viabilizem as actividades económicas sobrecarregadas com explosões inflacionárias.

Só quando as empresas energéticas estratégicas, nomeadamente a REN, a EDP e a GALP, estiverem na esfera da gestão pública, serão retomadas todas as condições de soberania, recorda-se numa nota à comunicação social emitida hoje.

Entretanto, acrescenta a federação, é necessário que o Governo tome medidas que acautelem o presente e o futuro, afastando o mais possível os riscos acrescidos inerentes à instabilidade que se vive no plano internacional, fazendo-o com os olhos postos nos interesses nacionais e não nos interesses do imperialismo bélico.

Ver também
- Nota à comunicação social, com contacto para declarações


Elevado risco de ruptura

De facto, no relatório RMSA-E 2022 (Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Eléctrico Nacional, para o período de 2023-2040), publicado no dia 25 pela Direcção-Geral de Energia e Geologia, é assumido que, entre outros factores, a «desclassificação» daquelas centrais veio determinar que, já em 2023, ocorrerá um muito significativo «estádio de ruptura», caso nada ou pouco seja feito para o evitar.

Comprometido e apressado, o Governo veio já dizer que afinal não ocorrerá a  desclassificação da central da Tapada do Outeiro, prevista para 2024. Ou seja, o actual ministro veio desmentir aquilo que o seu antecessor afirmava veementemente.

Mas só este recuo é muito insuficiente. O País está, todos os dias, em risco de sofrer um apagão, se não existirem condições favoráveis de vento, sol e água, e se não houver a possibilidade de importar de Espanha elevadas quantidades de electricidade.

Desde meados de 2021 já se vivia uma gravíssima crise energética. Nos últimos meses comprovou-se a falência da política energética, baseada numa transição dita ecológica, que a União Europeia vem impondo, estimulada desde há cerca de 25 anos pelos interesses da Alemanha.

 

Um caminho muito errado

É hoje muito claro que a intensa corrida à instalação de eólicas e fotovoltaicas, baseada em subsídios pagos pelos consumidores, serve para alimentar os chorudos lucros das empresas privadas energéticas, mas é muito insuficiente para suprir as necessidades do País e da Europa, no presente e futuro. E não será com mais potência instalada, com novas unidades eólicas e fotovoltaicas, que se ultrapassará a intermitência do vento e do sol.

Ao permitirem e estimularem o encerramento precoce das unidades termoeléctricas, os responsáveis políticos – desde logo os governantes Matos Fernandes e João Galamba, sempre acompanhados pelo primeiro-ministro António Costa (os mesmos que também assumiram uma posição de apoio aos interesses especulativos dos accionistas da GALP) – atiraram Portugal para uma situação arriscada.

Essa atitude subserviente e contrária à soberania nacional veio, entre muitas outras coisas, determinar o elevadíssimo consumo da água das albufeiras, levando-as até à exaustão, porque era necessária mais electricidade.

Desconsiderados e gravemente prejudicados, os trabalhadores foram deixados para trás pelo Governo, que lhes roubou o presente e o futuro profissionais, num processo marcado pela incompetência e pelo cinismo propagandista. No plano social, o mínimo que se exige ao Governo é que, a todos os trabalhadores que foram intempestivamente afastados das suas actividades, sinalize urgentemente os caminhos reais que lhes permitam regressar ao trabalho e à vida.

Graves são também os efeitos sobre a estrutura produtiva nacional, porque agora é preciso importar muito mais gás natural, caríssimo, devido à especulação internacional e às sanções relacionadas com a guerra.

 

Governo do lado dos lucros obscenos

São escandalosos os aumentos vertiginosos dos lucros do terceiro trimestre deste ano, lucros oportunistas de empresas como a EDP Renováveis e a GALP, entre outras.
É muito grave que o Governo mostre tanta relutância em impor preços máximos e em taxar lucros especulativos, conseguidos em tempos de crise energética, quando os trabalhadores, os pensionistas e a população, em geral, se vêem asfixiados pelos altos preços da electricidade, do gás e dos combustíveis derivados do petróleo.
Pelo contrário, o Governo quer pagar à EDP cerca de 220 milhões de euros, a título de uma indemnização pela não construção do aproveitamento hidroeléctrico do Fridão.

 

Ver também
- Nota à comunicação social, com contacto para declarações

- Travar a subida de preços reabrindo as centrais (20.1.2022)
- Deve ser revertido o fecho da central da EDP em Sines (19.1.2021)
- Fechar centrais a carvão exige informação e precaução (1.11.2019)