Para a actual escalada de preços, que já vem desde 2021 e se agravou com a guerra no Leste e as sanções, o Governo e a UE não podem ter apenas medidas de apoio público, quando há empresas privadas que estão a fazer colossais fortunas, afirma Demétrio Alves, numa entrevista que aqui publicamos.

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Política energética - entrevista 19.4.2022


Antigo trabalhador do sector eléctrico, mantendo ligação à federação e aos sindicatos, Demétrio Alves, hoje como especialista, dá neste vídeo o exemplo da evolução das inaceitáveis margens de refinação da Petrogal, para defender que tais empresas devem ser chamadas a fazer parte do esforço nacional de contenção dos preços da energia.

Respondendo a Vera Falcão, numa conversa de cerca de meia hora, afirma que os preços da electricidade aumentaram porque o mercado grossista (MIBEL) tem uma metodologia completamente inaceitável do ponto de vista socio-económico.

A Comissão Europeia não permite a sua correcção, porque as grandes empresas estão a fazer fortunas colossais, explica Demétrio Alves, com um exemplo de cálculo: quanto é que ganha uma empresa que vende energia, produzida com a água de uma barragem, ao mesmo preço da energia que é produzida com gás natural?

Admite que não seria difícil estabelecer um preço médio, consoante o mix das fontes primárias. Mas a verdade é que os consumidores - famílias, instituições, empresas - pagam toda a electricidade ao preço mais caro.

A escalada de preços, acrescenta, não se deve apenas a este mercado grossista e grosseiro. Ela tem origem igualmente na pressão altista do gás natural. E há ainda os impostos altos, como o IVA.

Mas, nota Demétrio Alves, este é um sistema de grande conforto para as empresas maiores, que não correm risco absolutamente nenhum.


 

Outros temas

20220418Energia2022 com Demetrio Alves Demétrio Alves - Doutor (PhD) em Planeamento e Ordenamento do Território FCSH/UNL, licenciado em Engenharia Química pelo IST, pós-graduado em Política, Economia e Planeamento da Energia, pelo ISEG - aborda ainda outras importantes matérias, nomeadamente:

- Fontes «primárias» de energia para produção de electricidade, lembrando que o início de tudo é o Sol;

- A electricidade como energia evanescente, havendo uma dificuldade muito grande em armazená-la;

- As redes de transporte e de distribuição;

- A soberania energética;

- A liberalização e a argumentação que a defendeu;

- A subida vertiginosa dos preços e tarifas de electricidade, a par da forma como é estabelecido o preço da electricidade

- O monopólio natural, o mercado regulado, o papel dos reguladores e a «complicação» das normas, fonte da remuneração garantida e ods lucros das empresas de energia;

- O MIBEL (mercado ibérico) e o mercado único europeu de energia.

 

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